Gosto de me sentar nas ruas desertas durante a noite, ouvindo os sussurros daqueles que não se podem ver, desfrutando da agitação que apenas eles conseguem criar.
Sob a luz amarelada do poste, Jeff deixou cair no chão uma bituca de cigarro quase consumida até o filtro.
Em seguida,
seus olhos vasculharam rapidamente para ambos os lados, enquanto, por hábito, esmagava a bituca sob o solado do sapato, esfregando-a de um lado ao outro.
— Droga...
Jeff sacudiu o pé com força, esquecendo-se de que a sola do sapato já estava tão fina que quase deixava passar o ar; dessa vez, acabou queimando a planta do pé.
O vento noturno, carregado de frio, soprava pelas ruas, onde quase não se viam pedestres; os poucos que passavam ao longe estavam encolhidos em seus casacos e cachecóis, apressando-se com a cabeça baixa.
Jeff ergueu a gola do próprio sobretudo, cujos lados, manchados, exibiam um brilho oleoso; mas, naquele momento, aquilo ainda lhe proporcionava uma sensação de segurança, como se estivesse protegido e oculto.
À sua frente estava o número 128 da Rua Minke; do número 50 ao 200, todas as casas eram geminadas. Quem comprava ou alugava ali dificilmente seria um magnata, mas pelo menos pertenceria à classe média.
Naquela casa, vivia uma família de três: o pai, médico; a mãe, professora; e um filho de sete anos. Durante o dia, uma empregada vinha para limpar e arrumar, mas não ficava à noite; preparava o jantar e ia embora.
Além disso, a família mantinha um hábito: todos os sábados à noite, saíam juntos para assistir a espetáculos no teatro.
A porta se abriu; o dono de casa, de terno preto, saiu primeiro e ligou o carro estacionado à porta.
Logo depois, a esposa, vestindo um v