Quando a história se transforma em vazio, o homem perde o conhecimento de sua origem. Contemplando o firmamento, quem não é um prisioneiro acorrentado? ................................ No ano 999 da Renascença de Babilônia, o mestre sagrado das profecias, Victor Hugo, fez sua última previsão ao Império antes de falecer: já que a escuridão desce do trono, a luz certamente surgirá do abismo. ... Porém ele apenas espirrou: Ah, quem está falando mal de mim?
— Atchim... Quem está me xingando?
Qin Shi esfregou o nariz vermelho de frio, resmungando. O jovem ergueu a cabeça, contemplando o rio de estrelas no vazio acima, tomado por uma certa preocupação.
O céu estava diferente do habitual. A Via Láctea resplandecia, repleta de estrelas.
Era a primeira vez, desde que nascera, que Qin Shi via um céu estrelado de verdade.
O Antigo Continente Egípcio situava-se na camada mais baixa do mundo das ilhas flutuantes, oculto pelas terras superiores, sem ver o sol nem a lua.
Se fosse dia ou noite, o ambiente permanecia sempre sombrio, enevoado, tomado por um ar de decadência. Quanto ao distante rio de estrelas, Qin Shi mal vira a lua uma única vez em toda a sua vida.
Com o desaparecimento do manto negro que ocultava o céu, a vastidão da Via Láctea despertava nele, além do entusiasmo, um medo sutil. Sua experiência lhe dizia que isso jamais seria um bom presságio.
A luz das estrelas, embora fraca, era suficientemente clara para Qin Shi, cujo olhar, apurado por anos na penumbra, se tornara mais aguçado.
Sob o brilho celeste, a terra tornava-se mais perigosa.
Os predadores do ermo, antes ocultos na escuridão, agora ganhavam uma visão ainda mais ampla. Fosse uma alcateia de hienas ou um urso-cadáver solitário, nenhuma dessas feras seria páreo para o corpo franzino de Qin Shi.
Apertou mais o manto esfarrapado ao redor de si, segurando a adaga com mais força. Curvando o dorso magro, corria silencioso pelo ermo, ágil como um macaco.
— Auuuu... — mal percorrera alguns metros, ouviu