Zhou Xianing olhava, atônita, para o casal diante dela, que, apressadamente, agarrava o edredom no chão na tentativa de cobrir seus corpos. Sua mente estava completamente vazia.
Sim, era a sua casa, a sua cama, o seu homem.
Mas agora, naquela casa, naquela cama, ao lado do seu homem, havia uma mulher estranha e exuberante. Apesar do rosto jovem, a maquiagem pesada escondia a verdadeira idade.
— Xianing, deixe-me explicar... — disse o homem, cuja voz ela conhecia tão bem, mas agora lhe soava completamente estranha. Ela ouvia os seus pedidos entrecortados, pois, afinal, estavam juntos havia oito anos e cada expressão dele lhe era familiar.
Aquele homem que antes lhe parecia gentil e reconfortante, agora a enojava.
Aos poucos, a lucidez retornava à sua mente e ela olhou com mais atenção para a mulher, reconhecendo vagamente uma atriz novata que, se não se enganava, havia visto no ano anterior.
Ela estava há quinze anos batalhando naquele meio, já vira muita gente disposta a qualquer coisa para subir na carreira, até mesmo vender o próprio corpo.
Ter ambição era compreensível. Quem entrava para aquele meio e dizia não querer fama ou sucesso, mentia. Mas seria preciso vender a própria consciência, destruir o amor e o casamento alheios em nome do sucesso?
Ela não conseguia entender, mas ainda assim havia tantas pessoas que compreendiam perfeitamente e se lançavam sem hesitar.
Talvez por isso, só aos trinta e sete anos ela finalmente despontara, enquanto outros brilhavam desde o início.
— É porque ela é jovem e bonita,