Ao atravessar para o mundo da cultivação, Xu Yang encontrava-se no mais baixo dos estratos, lutando arduamente pela sobrevivência. Contudo, descobriu que possuía um dom singular: um artefato dourado secreto, capaz de lhe conceder poderes miraculosos, desde que persistisse em realizar uma única ação. Alimentar-se: fortalecia a essência, revigorava o corpo, prolongava a vida... Dormir: restaurava a vitalidade, concedia vigor dracônico e longevidade eterna... Respirar: assimilava o fôlego da tartaruga, fazia o sangue pulsar como marés, movia montanhas e rios com o sopro... Caminhar: percorria mil léguas num só dia, encurtava distâncias, cruzava montanhas e seguia a lua... Não importando se eram tarefas mundanas ou artes sublimes da cultivação, bastava a perseverança para alcançar a mais elevada perfeição. Munido desse dom, Xu Yang ascendeu de um humilde pescador ao mais poderoso dos lendários Mestres da Espada da Colina dos Dez Li!
Lago Dongting, Pântano Yunmeng, estendendo-se por oitocentos li, as águas enevoadas perdem-se no horizonte.
Era pleno outono. O vento assobiava lúgubre, a névoa adensava-se, e o frio começava a se insinuar.
No meio de um vasto campo de juncos, subia uma tênue fumaça de lenha — era um velho barco de bambu com toldo negro.
Na proa, diante da porta da cabine, um homem, de chapéu cônico e manto de palha, estava sentado num pequeno banco, entretido com o fogareiro crepitante à sua frente.
Via-se logo que era de idade avançada; sob o chapéu, os cabelos eram secos e grisalhos, e o rosto, profundamente sulcado de rugas e manchas, ostentava toda a marca do tempo. O corpo, curvado sob o largo manto, parecia ainda mais magro e mirrado, exalando aquela quietude vespertina dos que já se encontram à beira do ocaso, alquebrado, à mercê do tempo.
Um velho barco, um velho pescador — nos oitocentos li do Lago Dongting, nada há aí de extraordinário.
O ancião, sentado à proa, atiçava o pequeno fogão; sobre ele, um modesto pote de barro fervia mingau de arroz integral, de tom pálido, liberando um aroma suave e tentador.
Logo o mingau começou a borbulhar. O velho tomou então uma grande tigela ao lado, cheia de camarões e caranguejos limpos, além de ovas alaranjadas e carne de peixe translúcida, tudo empilhado até a borda.
Despejou tudo no pote; à medida que o mingau fervia, os camarões e caranguejos escurecidos tingiam-se de vermelho, e a carne de peixe tomava um branco leitoso. Um perfume fresco e adocicado de frutos do rio, mesclado ao arroz,